A GOSTO
E o agosto se fez a gosto como tinha de ser, não bastasse o amarelado do tempo a falta do vento em pleno entardecer. Uma lágrima de magoa largada como lúgubre promessa de prazer. Cortou a vida. Arrancou do âmago o amargo ou doce pecado de seduzir, aviltou, sonegou sentimentos e deixou de dar carinho a quem mais precisou. Enganar, mentir, mentir, Vida bandida. Singular. Obscura ideologia de curtir. Curtir o efêmero, o volátil. Não há como negar, Somos resquícios de cicatrizes expostas, tanto mais tentamos esconder mais conseguimos mostrar, ferir. Sangrando os sentimentos, todos os meses como regra o sofrimento é sem dúvida o maior desgosto, deixando estampado na nossa cara um semblante opaco como o clima de um qualquer mês de agosto.
AUTOR: Edson Sobrinho

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