Esta dor desmedida, toda ilusão perdida, Cuspida, escarrada, limpou-se mais que as vias aéreas, higienizou seu coração. Negou a pequenez da tua coragem, mentiu. Palavras métricas, cirúrgicas com máxima exatidão num ato de estupidez, traição. Toda confiança que eu te dei nada adiantou. Feriu-me com tuas palavras escrotas, insensatas. Fui jogado, trocado por sonhos primaveris, machucou.
Bruta, enxuta como deserto a queimar. Deixaste a solidão em mansos mares navegar. Angustiante, malevolente a me provocar, insistentemente querendo me seduzir, tentando-me, seria eu também capaz de mentir, trair? Fui, carregado, levado e deixando-me ir e o amor vivido e quase por completo esquecido a repercutir, ecos, lembranças a me ferir.
Trapos, farrapos de um sentimento a se reconstruir, doendo, cicatrizando, amando, amando e amando sem perceber, sem sentir. Os olhos molhados com as lagrimas de um vazio, o brilho, porém é a promessa e a esperança de alguém que vai voltar a sorrir.
Autor: Edson Sobrinho

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